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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Aos meus pais.

Pensei em escrever para o meu pai e depois escreveria para a minha mãe,
ou para a minha mãe e depois para o meu pai.
Flagrei-me então em um dilema sem explicação, pois apesar da particularidade de cada um deles eles tornam-se uma só pessoa, um ser humano lindo de asas abertas prontas a acolher qualquer pessoa que precise de abrigo e carinho, então resolvi escrever para essa pessoa que é a soma dos dois, afinal não sei onde um termina e onde começa o outro.

Aos meus pais.

Desde você minha vida tornou-se vida, meus dias foram iluminados com amor respeito e carinho, broncas que logo passavam, lagrimas que logo secavam.
Sem teus braços não me vejo homem, sem teu colo não me encontro, sem teu espelho não me vejo, nem sequer me vejo.
É um sonho tornar-me metade do ser humano que você é. Para isso procuro outra metade, para compartilhar o amor que de exemplo tive em casa e tornar-me uma pessoa só com minha amada. Ainda assim, essa pessoa que me tornarei a dois será pequena perto da grandiosidade da pessoa que vocês são.
Hoje encontrei, mas ainda garimpo no meu mais profundo eu, as pedras brutas que passarei anos lapidando até ficarem parecidas com suas mais preciosas qualidades.
Meu café não tem o mesmo sabor pela manhã, o mesmo daquele que tomávamos juntos, um pão com manteiga, um pingado, leite e Nescau.
Meu almoço não é tão saboroso quanto as lasanhas de domingo, o frango assado com batatas.
Minhas 18:00 hs já não são tão apreensivas quanto as que eu passei te esperando chegar do trabalho, e minhas ferramentas não fazem os barulhos das suas, e meus ternos não me caem tão bem.
Meus aniversários não são negros, mas são beges, opacos, sem o colorido em volta da mesa de jantar e o Nhoque e o refrigerante...
Mas meus passos, esses sim estão melhores que nunca, porque os guio na serenidade de suas palavras, na consciência de suas ações e no amor de seus gestos, eu conquisto a cada dia novas amizades e tento colocá-las sob as minhas ainda pequenas asas.
Não existe coração duro o bastante que resista a seus encantos, não existe olhos que não virem lágrimas ao ouvir tuas palavras de consolo, não existe alma que não se acalme ao sentir sua repreensão, construtiva, criativa e com a melhor de todas as intenções do universo.
Minhas “batidas de perna” no Shoping aos sábados de manhã são hoje tão cansativas e o cheiro do Bic Mac não é cheiro, e o sabor não é sabor, é apenas o perfume e o gosto de uma lembrança. Sou um pedaço de você, e a mistura de vocês e toda vez que penso em desistir lembro-me disso e ganho forças.
Apesar de filho sei que meu amor não é maior do que o da centena de filhos que você conquistou durante a vida, nos lugares que passou. Mas sei que o amor que você sente por mim é maior e melhor e eterno.
Amo você. (s)

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Minha Cidade

Um amor é para a vida toda, certa vez me disseram isso e eu incrédulo, não prestei a devida atenção. Engraçado e triste, antes tivesse me atentado a esse fato porque realmente a saudade, que outrora era uma estranha, hoje se apresenta vestida de vermelho e verde, tem resistência tênue e é encorpada como os vinhos que só minha amada produz.
Por alguns segundos flagro minha concentração tentando fugir dos meus pensamentos, agarro-a com as duas mãos e com um esforço imenso retomo meu estado de espírito, ocupo novamente meu lugar no espaço e espanto a saudade como alguém que coloca o cão para fora do quarto, sabendo que é necessário, mas com o coração em pedaços.


É clichê falar em saudade, tudo parece tão vulgar e brega.
Como a releitura de um bolero dos anos trinta.
Mas de ti sinto é saudade, e mesmo sendo tão démodé,
O amor que sinto por você, não permite que eu minta.

Tu és minha namorada de meia idade, me ensinaste muito mais do que imaginei saber em toda minha vida, cada parte de ti tem uma história, um sentido, um fundamento... Nada é em vão, nada é por acaso.
Quisera eu parar o tempo, andando por suas ruas, sentindo sob meus pés a desigualdade de um chão de pedras.
Gostaria de descrever teus traços, tentar explicar como é para quem jamais a conheceu. Mas um dia, eu escrevo tua beleza em prosa e verso, quem sabe em meu próximo acesso?!!!!?

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

mil novecentos e noventa e nove

Venha buscar o que é teu.
O que é meu eu já não sei se acho.
O que é nosso?
Sua vida, seu mundo, seu espaço.

Todos os anos em certa data eu compro um bolo.
Acendo velas bem bonitas com laços e anáguas.
Guirlandas, chocolate, mel e morango.
Todo ano comemoro nosso primeiro beijo,
Primeiro e único de vários que não vieram.
E não virão.

Meia taça de vinho a mais não me fará mal,
Ao menos imagino que não.
Quero esquentar as mãos, para me lembrar
Do calor que elas sentiam ao percorrer seu corpo
Para lembrar as vezes que ela secou as lágrimas
Que percorriam teu rosto

Ainda busco um sorriso que me lembre o seu,
Às vezes vejo na televisão, são os poucos filmes
Que assisto até o final, e choro...
Em lágrimas canto meu pranto,
Em um canto seu cachecol.

Se você voltasse...

quinta-feira, 30 de abril de 2009

RITO DO IRMÃO PEQUENO

a Tiago Calil



Meu irmão pequeno é bonito como a cotovia.
Lembro-me de ti, como um pequeno passarinho.
Cedo vieste em ovo, repousado sobre o ninho.
Cortava-me a alma não poder romper a casca, para que nasceste sem dor.
Mas era teu trabalho, com o próprio bico, para não ser vitima mais tarde;
De algum predador.

Inspiro meu destino em ti, irmão pequeno.
E busco em teus olhos o reflexo de uma vida que já não tenho.
Vida que já não é minha, desde o romper da casca.
Vida nossa, irmão pequeno.

Lembro-me dos pés sujos pela terra vermelha.
Grande pé de manga recostado sobre a lajota.
Vamos caçar rolinhas, irmão pequeno.
Que teremos boas horas sem razão.
E nem bem o sol se põe no horizonte.
Os ventos balançam as folhas no pé de tangerina.
Mal sabemos que dia é, quanto mais, que horas são.

Talvez lhe faltem medalhas, irmão pequeno.
Como a mim sempre faltou.
Jamais fui campeão de matemática, ou o melhor nadador.
Mas sobra-lhe a malandragem;
A malícia e a coragem.
Sabes a hora de dar um belo safanão nas fuças da vida.
Antes que ela lhe passe uma rasteira.

De braços dados, irmão pequeno.
Já não sei porque razão não me sinto.
De braços dados, se cortastes o dedo.
Sangro eu.
De braços dados não sei onde meu corpo se finda.
Para dar inicio ao seu.

“E se tiver de chorar, chora irmão pequeno.
Quando houver chegado o momento da dor.
A própria dor é uma felicidade…
Não escuta as árvores fazendo a tempestade berrar?
Valoriza contigo bem estes instantes
Em que a dor, o sofrimento, feito o vento,
São consequências perfeitas, das nossas razões verdes.
Da exatidão misteriosíssima do ser.”

Hoje estamos distantes, irmão pequeno.
Mas não longe o bastante para minhas pálpebras não se humedecerem
Quando choras.
Não longe o bastante para meus ossos não doerem quando sentes frio.
Não longe o bastante para não me recordar todos os dias;
Os nossos dias.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Quando Amei

Às vezes eu fecho os olhos, inspiro e procuro sentir a presença de quem já não está por perto. É um método que eu inventei tempos atrás..., e uso sempre quando o amor se transforma em saudade.

Os grandes amores existem. As grandes paixões existem. Eles existem. Eles simplesmente existem. Eu desejo que todo ser humano possa sentir o que eu um dia já senti. Somente uns poucos minutos daquele entorpecimento juvenil, daquela inundação de sentimentos que enlouquecem, daquela loucura toda que te envolve, te amedronta, aquela confusão monstruosa que vivi quando amei. E quando fui amado. Uma paixão avassaladora que me fez acreditar que eu ainda permanecia vivo. Vivo e amando. E amado. Mas, agora, eu fecho os olhos para dormir. A cama cresceu tanto de tamanho, o meu peito cada vez está menor. E muito mais vazio. Ninguém a me ninar. A minha mão não encontra a sua. Quem foi que viu a minha Dor chorando?! (Mas, no meu caso, diurnas também). Eu quero uma receita para se esquecer um grande amor, o senhor tem aqui para vender? O preço não me interessa, eu só quero poder seguir em frente. Nem precisa ser em frente..., basta seguir.

E o vazio logo aparece, não dá um minuto de folga (“meter a cara no trabalho” é algo que também não tem funcionado). O telefone não toca naquela hora, a minha caixa de e-mails não tem pena de mim, já não tem novidade boa a me contar. Uma sensação leve e prematura de derrota logo se apodera da gente. Depois ela cresce. Já não é mais sensação, é derrota mesmo. Eu não tenho mais para quem escrever os meus defeituosos poemas, a quem dedicar meus pensamentos, quem vai me acalmar quando a agonia aparece sem avisar? Eu me sinto tão sozinho. Por vezes eu nem me sinto. Meus olhos não vertem lágrimas, o meu coração não dispara. Será mesmo que estou vivo? Ainda nem maldisse toda a minha sina e mazela, nem afoguei minhas mágoas na cachaça libertadora, também não há outro perfume no meu corpo. Viver é amar, um dia me explicaram direitinho. Eu era inocente e acreditei. Só inocentes e tolos crédulos aprendem isso, eu tive o azar de ser um deles. Nem ouso reclamar.

Quando acordei foi em você que eu pensei. Provavelmente pensei em ti durante toda a noite também, mas dessa vez tive a sorte de não recordar. Não importa como minha vida esteja seguindo, é sempre em seu sorriso que meus pensamentos se convergem. Não há fuga nem plano B. Eu aprendi que não é te esquecendo que irei me livrar de você. Não importa quanto tempo transcorra, jamais me esquecerei daquela noite, aquela, quando você ouviu minha declaração de amor (A lua que desenhei para você). Metade do tempo eu reflito sobre o que ela significou e o que ela irá se tornar em alguns poucos anos. Logo, meu coração será de outra, as suas coisas queimarei no quintal,e essa frase eu voltarei a dizer. Mas não para ti, jamais para ti, nunca mais para ti... Você será apenas uma lembrança, feito tantas outras, e eu serei apenas uma lembrança para você... feito tantas outras.

Quem errou mais? Isso não importa agora, logo, posso ficar com toda culpa pelo nosso fracasso. Sempre sonhei com algo diferente, como nos contos de fadas e nos pagodes de três notas (e se me perguntam Que era mesmo que eu queria?/ ”Eu queria uma casinha/ Com varanda para o mar/ Onde brincasse a andorinha/ E onde chegasse o luar”, Vinicius de Moraes. A realidade foi muito distinta disso, só Deus é testemunha das minhas queixas. Mas, nesse momento, nada disso importa, nada do que doeu agora importa. Eu vou ficar aqui, sozinho, com minhas lembranças e nosso fracasso. Vou lembrar das partes boas, para me emocionar com a saudade. Não lembrarei de nenhuma briga, nem nada disso! Eu quero uma receita para esquecer dos momentos ruins, dos bons eu não preciso. Não preciso e não quero. Para que esquecer do que me orgulho? Do que me fez feliz? Deixa a saudade me machucar, meu anjo, uma hora ela se cansa. Eu não abro mão de recordar o quanto fomos felizes. Acabou, mas não sem muito amor. É o fim, mas não antes de muitas promessas de eterna felicidade. É isso o que vale, afinal. Eu busco isso a cada instante de minha vida.

Mas agora ela está lá e eu aqui. Ela está lá seguindo a vida dela, e eu estou aqui, seguindo a minha. Ela esta lá vivendo a vida dela como se nada tivesse acontecido. Acho, realmente não sei dizer. Eu aqui, não triste, mas saudoso. Às vezes eu olho para os céus para descobrir se sinto algo de novo. Quem sabe um daqueles meus suspiros. Passo horas olhando as estrelas, sem entender por que elas brilham. Elas deveriam fazê-lo somente quando você fosse minha, não em qualquer situação. Mas você segue a sua vida, almoça feliz e se diverte enquanto procuro a receita para te esquecer. Sei que não irei sofrer, o que me castiga é a saudade. Não irei chorar, nem lamentar, tampouco desejar a morte. Irei apenas seguir em frente, sozinho agora, às vezes pensando: o que será que ela faz nesse momento?, agora que chove lá fora! O que será que ela faz? Será que pensa em mim? Será que sorri? Eu abro os braços para envolver a minha vida.

Lembra da música? “Eu não queria nem devia te magoar” Preciso te dizer: Essa é a maior verdade que já te contei. Eu sigo a minha vida por aqui, você continue a sua por aí. Se conseguir a receita para se esquecer de um grande amor? Não, parece que isso não existe mesmo. A minha é seguir em frente, então, e quando não der, chorar, não há problema nenhum isso, quem aprende a amar, aprende a chorar também . Eu aprendi, pratiquei contigo, jamais te esquecerei.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Desejo II

O Desejo é um sentimento confuso.
Embriaga sua mente com “os negros vapores da bile.”
Pode ser confundido com o amor.
Porém, causa-nos dor.
O amor jamais causará dor.

O Desejo nos embriaga, envolve, fascina.
Faz-nos pensar que de tão apaixonados,
Falta-nos apetite ou até mesmo o pão.

Esquecemos a razão,
Cometemos loucuras,
Em nome do coração.

Colocamos toda a culpa no amor.
- Eu choro porque eu amo.
- Eu imploro porque eu amo.
- Eu me humilho porque eu amo.

Somos sarcasticamente egoístas.
Ao não admitirmos.
- Eu choro porque eu quero ter.
- Eu imploro porque acho que ainda é meu.
- Eu me humilho porque não aceito perder.

E de tão cegos de desejo,
Não queremos outros beijos.
E de tão cegos de amor.
Não enxergamos o amor que sentimos
Por nós mesmos.
Simplesmente porque ele já não existe mais.

sexta-feira, 27 de março de 2009

Circo

A vida é um grande circo.
Um palco circular, circundado por todos os ciclos.
E em todos os ciclos,
Circulam seres paralelos.

Alguns aparecem, outros tantos somem.
Deixam suas marcas.
E de qualquer maneira suas sombras.
Sempre estarão lá.

Em um pedaço de papel mal escrito.
O cheiro no travesseiro.
Na cor, no som, no perfume.
Que outrora trouxe o medo.

Nesse grande circo, os espetáculos são únicos.
Hora um drama de lagrimas, morte, escuridão.
Outrora sorrisos, cores, coração.
Mas em todos os momentos.
Em todos...
Ao apagarem-se as luzes.
Você está só.

Chega a hora de limpar a maquiagem.
Tirar a roupa, desmontar o personagem.
Enfrentar seus piores pesadelos e... Ouvir: Não!

Então percebemos que nesse grande circo,
Hora somos palhaços coadjuvantes,
Outrora atores principais, esperados, desejados...
Mas nunca. (Eu disse nunca).
Somos a pessoa que se apresenta,
Quando limpamos a maquiagem,
Tiramos a roupa e...
Desmontamos o personagem.

quinta-feira, 26 de março de 2009

Parto!


O parto ocorre. Parto-me.
Aborto certas convicções.
Abordo demônios e manias
Flagelo-me
Exponho cicatrizes
E acordo os meus, com muito mais cuidado.
Muito mais atenção!

terça-feira, 17 de março de 2009

Caminhos.

Lua clara, flor rara de esplêndido esplendor.
Pedra rara, jóia cara, noite de amor.

Sempre imaginei alguém assim.
Sempre imaginei que não existia.
Já contei um milhão dos teus sorrisos,
Em meus sonhos.

Eram apenas sonhos.

Agora é real, és um anjo (in) verso.
Anjo de pura flor, com o perfume e o sorriso da flor.
Flor magoada, maltratada por um ex-amor.
Flor que merece ser regada, cuidada...

Regarei tuas pétalas com meus carinhos.
Nutrirei sua terra com versos de amor.
E em teu caule não nascerão mais espinhos.
Em teu perfume não haverá mais dor.

Não sei quais caminhos me trouxeram.
Nem sei ao menos como cheguei.
Entre tantos lugares, tantas paisagens e tantas curvas.
Foi em uma noite quente, no meio da rua, que te encontrei.

Teu nome é música, composta por prosa, verso e poesia.
Melodia...
E teu nome espanta minha angústia.
Faz-me esquecer que um dia...........
Nielly “dos meus pecados.”
Nielly “viola de amor.”

(Amores vem e vão, as amizades são eternas)

quinta-feira, 5 de março de 2009

"Emprestado de Gessinger"

Não é o que se pode chamar de uma história original
Mas não importa: é a vida real!
Acordar de madrugada vindo de outro planeta
Sentir-se só;
Uma criança num berço de ouro
E a ferrugem ao seu redor

Os muros da cidade falavam alto demais
Coisas que ela não podia mudar nem suportar
Ela quis voltar para casa
Cansou da violência que ninguém mais via
Viu milhões de fotografias e achou todas iguais

Conta pra mim o que te fez chorar
Nunca mais quero te ver chorar!
Nunca mais!!!

Ofereci abrigo, um lugar para ficar
Ela me olhou como se soubesse desde o início
Que eu também não era dali
E quando sorriu ficou ainda mais bonita
Tinha a força de quem sabe que a hora certa vai chegar

Lágrimas no sorriso, mãe e filha, chuva e sol
Segredos que não podia guardar, e não conseguia contar

Conta pra mim o que te fez chorar
Nunca mais quero te ver chorar!
Nunca mais!!!

Ainda ando pelas mesmas ruas
A cidade cresce e tudo fica cada vez menor
Agora eu sei que a vida não é um jogo de palavras cruzadas
Onde tudo se encaixa
O que será que ela quis dizer?
5 letras, começando com a letra 'A'!

sábado, 17 de janeiro de 2009

Desejo

Desejo que teu desejo me deseje.
Onde o limite da razão se esvai.
Desejo que tua boca me beije.
Onde o limite do prazer atrai.

Desejo que tua felicidade me contemple.
Que sempre procure mais.
Desejo um desejo incontido.
Demasiado para simples mortais.

Desejo que teu desejo deseje.
Desejar desejando mais.
Desejo que tua mão me alcance.
E não me solte jamais.

Desejo quase incontido.
Proibido demais.
Desejo quase proibido.
Contido demais.

Desejo que ame a mim mesmo.
E meu desejo sacie.
Desejo da boa o beijo.
E tua pele macia.

Desejo que teu desejo me deseje.
Onde o limite da razão se esvai...

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

2012

Desfaça-se em pedaços a ironia que outrora habitava meu ser.
Ocupem o lugar do orgulho e da pretensão, as lágrimas que não derramara há tempos.
Acalmem-se os anjos, descansem, já não imploro sua proteção.
Sentem-se e degustem um belo cálice de vinho, desse que me trouxeram em outros tempos.
E jamais provei.

Vamos aguardar de mãos dadas o findar do quinto grande ciclo solar.
E quando a sombra se estender sobre a Terra.
Não vamos chorar.
Nossa energia se elevará, outra dimensão se abrirá.
E seremos novamente uma família.

Mas agora, ao menos neste momento.
Vamos descansar.

Pensar.

domingo, 23 de novembro de 2008

Faculdade de Filosofia

Espero que neste breve texto eu consiga relacionar alguns dos motivos pelos quais fui influenciado a cursar a Faculdade de Filosofia.
A princípio quero deixar claro como eu fico extremamente incomodado ao ver a reação das pessoas quando eu lhes falo sobre o meu curso, a primeira delas é o espanto acompanhado da seguinte frase:
“Você é louco.”
Pois bem, talvez o seja, se for considerado loucura a curiosidade. A mesma curiosidade que uma criança tem quando, ao ver uma outra criança passando fome, pergunta aos pais o motivo pelo qual “Papai do céu” permite que isso aconteça, essa pergunta não tem resposta, porém a criança se acostuma com a ausência e simplesmente cresce e para de perguntar.
Talvez eu seja maluco em não aceitar respostas prontas e totalmente contraditórias, talvez eu não consiga realmente me convencer que se a minha mãe me diz para não fazer “xixi” na rua e eu faço, ela vai me expulsar de casa, amaldiçoar a mim e aos meus descendentes e obrigar-nos a passar nossas vidas em um eterno conflito de amor e medo, adorando e implorando piedade em busca de um dia podermos voltar a conviver com ela de novo no aconchego do lar “paraíso” do qual fomos expulsos.
Será loucura olhar no espelho e tentar entender como um ser tão imperfeito, limitado e finito quanto eu pode ter sido criado a IMAGEM E SEMELHANÇA de um ser perfeito, ilimitado e infinito. Qual a semelhança nisso???????????
Eu não considero loucura questionar as leis da física, não consigo entender como “massa atrai massa” se não temos a menor ideia do que seja “massa”. A própria ideia não tem definição, é uma coisa que não conseguimos conceber. Alguém pode me dizer qual a concepção ontológica da mesma, qual a cor da ideia? Qual o tamanho da ideia? Qual o cheiro, o gosto, o peso da ideia? Seria a ideia massa? Neste caso “ideia atrai ideia.”???
Loucura é simplesmente aceitar sem questionar, loucura mesmo é acreditar que pesquisas com células tronco é pecado, sentir é pecado. Você não pode sentir. A inveja é um sentimento involuntário de um ser imperfeito, assim com a luxúria o ódio. Certo então comer além da satisfação do nosso corpo é pecado, e o que me dizem de exaltar e impor a humildade enquanto se come com talheres de ouro, em um palácio gigantesco muito além das necessidades humanas, dormindo em colchões caríssimos com roupas de seda servido por milhares de servos?
Talvez eu seja mesmo louco por não acreditar que a única maneira de ser realmente feliz é consumindo, talvez eu não seja normal porque eu acredito na força do nosso corpo além do que possamos imaginar, ou porque eu simplesmente acredito que não estamos sozinhos no universo, talvez eu nem acredite no universo.
A minha loucura esta em não me satisfazer com a felicidade vendida nos intervalos comerciais, não deixar de lado um amor para cuidar da minha carreira do meu FUTURO, porque o futuro não existe, o TEMPO como a ideia não pode ser concebido apenas acolhido.
Sim eu sou louco, porque eu acredito que somos mais e melhores, acredito que evolução tecnológica é uma revolução do ser em si, acredito que nosso corpo é feito de possibilidades ilimitadas e que a cada passo de evolução nosso cérebro torna-se obsoleto, como uma mata nativa desmatada aos poucos, dando lugar ao desenvolvimento, SIM EU ACREDITO QUE SOMOS UMA FLORESTA e que em nossas plantas interiores estão o principio ativo de todos os remédios, porém devastamos essa mata para podermos industrializar os remédios que temos de graça para que o capitalismo se fortaleça.
Talvez eu seja louco por simplesmente não acordar pela manhã, fazer a barba e correr para não perder o ônibus. Isso porque no caminho entre a minha cama e o banheiro existe o infinito, e eu mesmo sem muitas esperanças quero saber o que ele é, como ele existe, como eu me encaixo nisso tudo, por que estou aqui, o que é o aqui.
Finalizando, ao menos por enquanto, antes de me colocarem o rótulo de louco porque faço filosofia tentem pensar em suas vidas medíocres, dominadas por um sistema capitalista cruel que te obriga a ter mais que o seu semelhante para sentir-se feliz. Pense em como você aceita respostas prontas e contraditórias pelo simples fato de sentir PREGUIÇA de pensar, de ler um texto por ser extenso demais.
Talvez você nem tenha chego a esse parágrafo do texto........rs.......
Bem de qualquer maneira, mesmo os que leram até o final, irão voltar para suas vidas, ouvir suas músicas sertanejas, comer seu arroz e feijão, balançar a Bunda ao som de uma batida qualquer e acreditar que vai ser salvo um dia se for à missa todos os domingos. (Mas pela manhã, porque a tarde tem futebol).

ps . (Desculpem os erros de português, são cinco horas da manhã de uma segunda feira).

domingo, 16 de novembro de 2008

Momento

Uma flauta solitária sonha ser orquestra.
Jamais será.

Adormeci pensando em você, não sei por quanto tempo pensei.
Nem sei se ainda devo pensar.
Mas essa noite ao menos, não sonhei.
Ou sonhei e prefiro não lembrar.

Não é o momento.
O momento já passou.
O momento não virá.
O sentimento não conta.
O tempo?!?
O sentir, sentirá?

Odeio frases clichês,
Dessas que falam de um coração nobre.
Sofrendo por “amor”.
Meu coração é vagabundo.
Vazio e imundo.
Burro demais, se apega se enche se esvai.
E vai.
Levando.
Sonhando.
Sonhando ser orquestra que jamais será.

Meu coração é um bar.
E em sua porta há sempre um mendigo moço,
Esmolando paixões.
Que jamais terá.

Tua ausência já não é nada.
O nada me toma a alma.
Não me acalma, nem consola.
Nada é vazio.
Meu coração é vazio.
Vádio.
Sonha ser nobre.
Jamais será.

És um anjo perfeito.
Atrevo-me, apareço.
Sou ignorado, desapareço.
Não faz diferença, já que não faço falta.
E não me faz falta tua indiferença.
Não me agrada, nem desagrada.
Nada.

Um dia você vai voltar.
Sonhando ser minha.
Jamais será.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Acaso

Que lagrimas são essas?
De onde vieram?
Por que insistem em cair?

Um sentimento precisa de oxigênio.
Vou sufocá-lo.
Talvez o arranque de dentro de mim
Com minhas próprias mãos.
Talvez não.

Bom, seja o que for é passado.
Sentimento superado.
Conforto para o coração.
Ou não.

Triste fim para algo;
Sem início.
Aparente olhar de tristeza.
Sem estrelas, luz acesa.

Não faz diferença.
As lagrimas se secarão.
e os sentimentos.......
Estes passarão.

sábado, 8 de novembro de 2008

ENADE

Estou abrindo um espaço neste blog para publicar uma nota de manifesto feita pelos alunos da Unesp - Campus de Marília, porque acho importante que as pessoas saibam que somos obrigados a fazer a prova sem saber exatamente o que ela é
e o que não concordamos nisso tudo.
O ENADE é um instrumento de avaliação do SINAES que busca comparar as instituições do ensino superior. Os alunos da FFC Unesp – campus Marília/SP do curso de filosofia discordam dessa avaliação, pois não há divulgação dos métodos e critérios adotados, o que acarreta na obscuridade de suas finalidades. Neste contexto, mesmo desconhecendo tais finalidades, os alunos são obrigados a realizá-la.
Tais condições resultam em um rankeamento dos cursos e de suas instituições, o qual não condiz com a realidade, gerando uma falsa impressão das condições dos mesmos. Diante disso, os alunos propõem uma discussão para uma reestruturação participativa e não autoritária dos instrumentos de avaliação.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Notas de um observador:

Existem milhões de insetos almáticos.
Alguns rastejam, outros poucos correm.
A maioria prefere não se mexer.
Grandes e pequenos.
Redondos e triangulares,
de qualquer forma são todos quadrados.
Ovários, oriundos de variadas raízes radicais.
Ramificações da célula rainha.
Desprovidos de asas,
não voam nem nadam.
Possuem vida, mas não sabem.
Duvidam do corpo,
queimam seus filmes e suas floras.
Para eles, tudo é capaz de ser impossível.
Alimentam-se de nós, nossa paz e ciência.
Regurgitam assuntos e sintomas.
Avoam e bebericam sobre as fezes.
Descansam sobre a carniça,
repousam-se no lodo,
lactobacilos vomitados sonhando espermatozóides que não são.
Assim são os insetos interiores.

A futilidade encarrega-se de maestra-los.
São inóspitos, nocivos, poluentes.
Abusam da própria miséria intelectual,
das mazelas vizinhas, do câncer e da raiva alheia.
O veneno se refugia no espelho do armário.
Antes do sono, o beijo de boa noite.
Antes da insônia, a benção.

Arriscam a partilha do tecido que nunca se dissipa.
A família.
São soníferos, chagas sem curas.
Não reproduzem, são inférteis, infiéis, in(f)vertebrados.
Arrancam as cabeças de suas fêmeas,
Cortam os troncos,
Urinam nos rios e nas somas dos desagravos, greves e desapegos.
Esquecem-se de si.
Pontuam-se

A cria que se crie, a dona que se dane.
Os insetos interiores proliferam-se assim:
Na morte e na merda.

Seus sintomas?
Um calor gélido e ansiado na boca do estômago.
Uma sensação de: o que é mesmo que se passa?
Um certo estado de humilhação conformada o que parece bem vindo e quisto.
É mais fácil aturar a tristeza generalizada
Que romper com as correntes de preguiça e mal dizer.
Silenciam-se no holocausto da subserviência
O organismo não se anima mais.
E assim, animais ou menos assim,
Descompromissados com o próprio rumo.
Desprovidos de caráter e coragem,
Desatentos ao próprio tesouro...caem.
Desacordam todos os dias,
não mensuram suas perdas e imposturas.
Não almejam, não alma, já não mais amor.
Assim são os insetos interiores.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

?

Atraso, greve, assalto, assunto.
Papeis, livro, prazo, entrega.

Prosa, verso, poesia?
Liberdade, felicidade, alegria?

Corra.
Ou o relógio te pega.
Te pega.......
Corra, ou morra.

Feliz?

A simplicidade da arte
escrita em prosa e verso
diante do seu nariz.

Nos edifícios que arranham o céu,
Nas cores que haviam no céu....
Existiam cores lá?

Cinza.
O céu agora é cinza.
Ele já foi azul?
Não pense,
Corra.....Olha o prazo de entrega,
Corra.....
Ou o relógio te pega.

Metrô, metro, robô.
Centímetros,
Quilômetros de congestionamento.
Corte a fila, passe a perna, engane, minta.
Mas não SINTA.

Teu filho corre na rua?
Joga bola descalço?
Ou vive trancafiado
Nessa floresta de concreto e aço?

Não.
Não pense.
Corra.

Fruta do pé.
Cheiro de café.
Mato, capim verde.
Sabe como é?

Cheiro de chuva,
Pega-pega na rua.
Corra já é tarde.
Você passou da idade.
Teu filho não.

Degrau, escada elevador.
Porta, feche a porta.
Ou a dor será imensa.
Imensa dor.

Mas não.
Não pense.
Corra.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

A vida.......

A vida não tem graça, não tem cor nem som.
As cores da vida são as que pintamos e os sons os que inventamos.
Acho graça quando funciona afinal nem todos têm essa capacidade.
Quando paro pra pensar em nós, vejo como colorimos a vida com facilidade, na verdade, nós é maneira de dizer, porque, nós simplesmente não existimos.
Mesmo assim nos inventamos, nos decidimos e nos descobrimos a cada dia, mesmo sem existirmos.
Não nos pertencemos, não nos desejamos, não cobramos nem confiamos, não sabemos nem queremos saber, simplesmente somos.....Fora do comum, fora do natural, do normal, somos e a nossa maneira na medida exata desejamos, confiamos e sabemos.
Não sentimos perfume, não tocamos, não nos beijamos nem queremos e às vezes é tudo o que queremos, (ou não).
Essa confusão atrapalha, bagunça, acalma e fortalece.
Não sinto sua falta, mas quando ela vem me acalma, não sinto falta do seu perfume mas quando o sinto sonho.
Quer saber? É tudo tão nada que me confunde e ao mesmo tempo é tudo tão tudo que me fortalece.
Não tem explicação, apenas sei que adoro as cores que pintamos a vida e os sons que criamos pra ela..
Bejos.........adoro.......incondicional

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

"MODA DO CORAJOSO

"Pessoas, não costumo colocar nesse espaço palavras que não são minhas, mas esse poema de Mário de Andrade faz bem aos olhos, a mente e a alma........deliciem-se"


Maria dos meus pecados...
Maria, viola de amor...
Já sei que não tem propósito
Gostar de donas casadas,
Mas quem que pode com o peito!
Amar não é desrespeito,
Meu amor terá seu fim.
Maria há-de ter um fim.

Quem sofre sou eu, que importa
Pros outros meu sofrimentos?
Já estou curando a ferida.
Se dando tempo pro tempo
Toda paixão é esquecida.
Maria será esquecida.

Que bonita que ela é!... Não
Me esqueço dela um momento!
Porém não dou cinco meses,
Acabarão as fraquezas
E a paixão será arquivada.
Maria será arquivada.

Por enquanto isso é impossível.
O meu corpo encasquetou
De não gostar sinão duma...
Pois, pra não fazer feiúra,
Meu espírito sublima
O fogo devorador.
Faz da paixão uma prima,
Faz do desejo um bordão,
E encabulado ponteia
A malvadeza do amor.

Maria, viola de amor!...